quinta-feira, 14 de maio de 2015

Por que a Justiça não tem um Moro para a Zelotes ?

Está na mira da  Operação Zelotes uma fraude que envolve R$ 19,6 bilhões em créditos tributários devidos à União e uma organização criminosa bem engendrada para burlar a tramitação de processos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Apesar da vultosa soma e da sofisticada rede de corrupção envolvidas, a Operação Zelotes, diferentemente de outras investigações em curso no País, não conta com o mesmo empenho do Poder Judiciário nem com a dedicação da grande imprensa para divulgar o caso. Atualmente, está sob o poder do  Carf  julgar um total de R$ 516 bilhões em créditos tributários devidos à União – quase cinco vezes o orçamento federal para a área da saúde em 2015.

O passo a passo da operação, as dificuldades de conduzir a investigação e a forma como os agentes criminosos agiam foram detalhados nesta quarta-feira (13) pelo procurador Frederico Paiva, do 6º Ofício de Combate à Corrupção da Procuradoria da República no Distrito Federal, que é responsável pela Zelotes. O depoimento ocorreu durante audiência da subcomissão que acompanha a investigação do caso, no âmbito da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, presidida pelo deputado Vicente Cândido (PT-SP). A iniciativa da audiência foi dos deputados Paulo Pimenta (PT-RS) e Leo de Brito (PT-AC).

Para dimensionar o tamanho da fraude investigada pela Zelotes, basta comparar e verificar que todo o esforço atual do governo federal para corrigir distorções nas concessões de benefícios previdenciários e trabalhistas por meio de duas medidas provisórias (MP 664 e MP 665) resultará numa economia estimada em cerca de R$ 18 bilhões – quase R$ 2 bilhões a menos da quantia que pode estar envolvida no esquema de corrupção dentro do Carf. “Parte dos débitos lançados e cobrados foi cancelado por esses julgamentos”, explicou Frederico Paiva, que também detalhou as dificuldades que enfrenta atualmente no processo de investigação.

Até o momento, a Justiça negou abrir o sigilo da investigação, impedindo que a sociedade conheça quem são as empresas sobre as quais pesam comprovação de ilícitos; negou por duas vezes a prisão preventiva de 26 pessoas que fazem parte do núcleo da organização criminosa, impossibilitando a oitiva delas sem a possibilidade de combinação de depoimentos; negou escuta telefônica por tempo mais prolongado, dificultando os investigadores acompanhar a conclusão de uma negociação escusa; e negou a realização de algumas buscas e apreensões fundamentais ao levantamento de provas.

Durante a audiência, o deputado Paulo Pimenta demonstrou sua indignação diante da postura diferenciada e seletiva do Judiciário frente à Operação Zelotes. “Foi feito o pedido de prisão das 26 pessoas e foi negado pelo Poder Judiciário. Algo que não é comum. O mais inusitado é que houve um pedido de reconsideração, argumentando sobre a necessidade das prisões para o sucesso das investigações, e foi negado de novo. Outro fato que chama a atenção é que já existem fatos semelhantes envolvendo esses mesmos investigados, com denúncia do Ministério Público feita há muito tempo, mas há casos em que a Justiça nunca ouviu ninguém até hoje no processo”, detalhou o parlamentar.

Esquema – O procurador disse que os R$ 19,6 bilhões sob suspeita de fraude envolvem um total de 74 julgamentos, ocorridos entre 2005 e 2013, e que, desse universo, R$ 5 bilhões, que envolvem entre 15 e 20 processos, já têm provas mais consistentes a partir do que foi apurado até o momento.

O procurador Frederico Paiva detalhou que o esquema era muito bem arquitetado e segmentado em tarefas definidas. Elas eram delegadas para agentes específicos dentro da organização criminosa, de forma que quem estava lá na ponta, desempenhando determinada ação, dificilmente conhecia quem eram os cabeças da trama. Segundo o procurador, a falta de transparência do Carf facilitava toda a fraude.

Contou que inicialmente, um mensageiro, para quem já haviam sido repassadas informações sigilosas sobre processos em andamento no Carf, procurava as empresas que estavam com débitos tributários sendo questionados dentro do Conselho. Esse mensageiro oferecia os “serviços” da organização, que, basicamente, consistia em extinguir os débitos sub judice no Conselho em troca do pagamento de determinado valor para os participantes do esquema.

Frederico contou ainda que geralmente os empresários não acreditavam na proposta e, para provar que o “negócio” era de fato garantido, o tal mensageiro fazia uma espécie de sinalização do tráfico de influência dentro do Carf. Ele marcava dia, hora e nome do conselheiro que iria pedir vista de determinado processo. Quando a promessa se confirmava, dava certeza ao “contratante” de que o serviço oferecido seria verdadeiramente executado.

Faziam parte do esquema ex e atuais conselheiros, advogados da área tributária e ex e atuais servidores da Receita Federal do Brasil. Um fato inusitado envolvendo o esquema de corrupção é que a propina era travestida de certo caráter de “legalidade”, já que as empresas e os agentes criminosos, para disfarçar a corrupção, assinavam contratos de consultoria tributária, por onde o dinheiro escorria para os participantes da quadrilha. “O esquema de corrupção era sofisticado, por isso mesmo, existe o desafio de conseguir montar essa quebra-cabeças”, completou o procurador.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

800 mil barris diários no pré-sal. A Petrobras é mais forte que os ratos e urubus

A produção de petróleo nos campos operados pela Petrobras  atingiu, no dia 11 de abril, a marca de 800 mil barris de petróleo por dia (bpd), atingindo novo recorde de produção diária. Desse volume, cerca de 74% (590 mil bpd) correspondem à parcela da companhia e o restante à das empresas parceiras nas diversas áreas de produção da camada pré-sal.
Faz pouco mais de sete anos que o pré-sal foi descoberta e este volume, em tão pouco tempo, é várias vezes maior do que aqueles que, em outras áreas marítimas, já se atingiu em tão pouco tempo, numa atividade complexa e demorada.
Segundo a empresa para que se  alcançasse, no Brasil, a produção de petróleo de 800 mil barris por dia” foram necessários 40 anos, com a contribuição de 6.374 poços. Na Bacia de Campos, esse mesmo volume de produção foi alcançado em 24 anos, com 423 poços.”
No pré-sal, são ainda apenas  39 poços produtores: 20 estão na Bacia de Santos, que responde por 64% da produção (511 mil barris por dia) e 19 poços estão localizados na Bacia de Campos e respondem por 36% da produção (291 mil barris por dia).
É deste “peso” imenso que os “muy amigos” da Petrobras querem “livrar” a empresa, pela carga de investimento necessária para explorá-lo e, de quebra, “aliviar” o Brasil do “sacrifício ” de ser um grande no petróleo.
Que canalhas!

Por Fernando Brito (Blog Tijolaço)

Quem está gastando dinheiro para tirar o Blog da Cidadania do ar?


Desde o último sábado (9), o Blog da Cidadania começou a sair do ar de forma intermitente e o problema foi aumentando até a tarde de terça-feira (12), quando a página praticamente saiu de vez do ar e só voltou a funcionar plenamente na madrugada desta quarta.
Contatada a empresa que hospeda o Blog, o primeiro “diagnóstico” foi o de que a audiência da página havia subido muito e, portanto, seria necessário contratar mais “memória”, ou seja, pagar para a empresa para a página ter mais capacidade para receber visitas de supostos leitores.
Nenhuma providência como essa foi suficiente. Foi contratada mais memória e não adiantou Quanto mais memória, mais “audiência” fajuta que esgotava a capacidade da página.
O técnico particular do Blog – que não trabalha na empresa que hospeda a página – estava fora de São Paulo pelo feriado e só voltou a atuar na segunda-feira à tarde, quando detectou que o que estava acontecendo era, na verdade, um “ataque de negação de serviço” também conhecido como DoS Attack, um acrônimo em inglês para Denial of Service.
Isso significa uma tentativa de tornar os recursos de um sistema indisponíveis para seus utilizadores, ou seja, para fazer “cair” o Blog.
Isso é feito da seguinte forma: quem quer “derrubar” um determinado site CONTRATA – ou seja, paga – para criar um servidor – de preferência, fora do país – e nele instalar um “robô” – um programa – que envia requisições de acesso ao site atacado, só que em uma quantidade imensa.
Milhares de requisições de acesso são enviadas pelo “robô” àquele site e ele acaba “travando” por excesso de demanda.
Isso vem sendo feito contra o Blog da Cidadania desde o sábado até o presente momento. Algumas dezenas de servidores foram contratados para enviar milhares e milhares de requisições de acesso à página, razão pela qual desde o último sábado ela está saindo do ar de forma intermitente.
Na última terça-feira à tarde, o problema se agravou e o Blog saiu do ar de vez.
Eis alguns IPs (endereço dos computadores) e sites de onde vêm sendo feitos os ataques.
185.62.188.91
185.62.188.98
118.123.14.86
80.82.78.96
89.248.171.135
37.115.185.56
14.33.247.130
136.243.36.80
185.62.188.91
185.62.188.98
hospedado em: blazingfast.io
Isso é só um pequeno exemplo de quantas máquinas ficaram enviando requisições ininterruptas de acesso ao Blog de forma a sobrecarregá-lo e tirá-lo do ar. Há muito mais.
Por precaução, na noite de terça o técnico do Blog tirou a página do ar para preparar o sistema para tentar impedir novos ataques, mas, também, para obter informações sobre quem está atacando.
Como não se sabe quanto dinheiro quem está fazendo isso pretende gastar, não se sabe se a página não sairá do ar de novo. Já foi reforçada a estrutura defensiva, mas, como já foi dito, se o sabotador tiver muito dinheiro para gastar isso não para nunca.
Evidentemente que isso é feito para impedir o Blog da Cidadania de continuar no ar. Alguém está sentindo-se muito incomodado pelo que é publicado aqui e não está poupando recursos – sobretudo financeiros – para esmagar a liberdade de expressão.
Como não existe acusação que possa ser feita ao autor desta página, quem está promovendo esse ataque partiu, literalmente, para a violência.
Vamos entender o que está acontecendo. Usando uma metáfora muito apropriada, é como se alguém se sentisse muito incomodado pelo que publica um pequeno jornal e mandasse um bando de brutamontes invadir esse jornal e quebrar tudo por lá.
Estamos falando de censura, de um ataque à liberdade de expressão que se vale de poder econômico, pois cada servidor usado custa uns 50 reais para ser contratado, e foram dezenas.
Há uma outra possibilidade de se fazer isso sem gastar dinheiro. Quem quer derrubar o site pode invadir outros servidores e de lá fazer esse tipo de ação. Só que aí tem que ter um técnico muito bom, que tem que ser muito bem pago, o que talvez fique até mais caro.
A pergunta final é a que intitula o texto. Quem teria tanto trabalho apenas para tirar um blog como este do ar? A quem esta página está incomodando tanto?
Não é difícil saber quem são as pessoas ou grupos que se sentem incomodados pelo que é publicado aqui. Basta ler o Blog e tirar conclusões. Não há tantas possibilidades assim.
Quem está atacando esta página está cometendo crime. Esse crime obviamente que será denunciado nos próximos dias à delegacia especializada em internet. Porém, isso não será suficiente. Para fazer a coisa andar não basta o boletim de ocorrência.
A outra providência a ser tomada será fazer uma representação ao Ministério Público Federal e outra à Polícia Federal.
A investigação irá andar? Será que essas instituições estão preocupadas com ataques à liberdade de imprensa e de expressão? Descobriremos em breve.
O que está acontecendo é do interesse de todos os que defendem essas liberdades. Hoje é este site, amanhã será o seu. Ah, mas eu não tenho site, blog, nada. Mas deve ter um perfil em uma rede social. Se você se tornar relevante de alguma maneira, serão usados métodos análogos para calá-lo.
O que você pode fazer em defesa da liberdade de expressão, de pensamento, de imprensa é divulgar esta denúncia e repudiar publicamente iniciativas como a dos que estão tentando tirar o Blog da Cidadania do ar.
Para finalizar, vale dizer que é lamentável que o Brasil esteja sendo submetido a ações como a supra descrita. Milhares e milhares de ataques como esse são feitos todos os dias em todo o mundo, mas por razões políticas concretas, não. O caso relatado é muito específico.
Alguém está gastando dinheiro que não será recuperado só para calar alguém – no caso, este Blog. Isso equivale a contratar um capanga para surrar ou até matar alguém por não gostar do que pensa e diz. Essa é uma reflexão que tem que ser feita.
Será que esse problema também é seu?

Por Eduardo Guimarães